Como escolher um refúgio?

  Para que um local de refúgio seja realmente seguro é necessário analisar cuidadosamente o maior número de variáveis possíveis que podem lhe afetar enquanto estiver vivendo lá. A primeira delas é a localização, assim como um estabelecimento comercial, muito do sucesso de um refúgio é determinado por sua localização, uma boa escolha pode lhe poupar bastante tempo e dinheiro na preparação. Sendo assim, quando for escolher o local, procure seguir uma ordem de prioridades para facilitar o trabalho de análise, vários enfoques podem ser utilizados, mas neste artigo vou analisar a partir da disponibilidade de recursos básicos para manutenção da vida. Para viver um ser humano precisa de:

Ar

Água

Alimentos

Saúde

Segurança

  Ar – A menos que você escolha viver em um local com altitude muito elevada, subterrâneo sem boa ventilação ou extremamente poluído, ar não deve ser problema.

  Água – Os seres humanos não sobrevivem sem água por muito tempo e em uma situação de caos não se pode contar com a água fornecida pela rede pública, portanto precisamos de fontes alternativas. O refúgio tem por objetivo garantir sua subsistência e para que isso seja realmente alcançado é importante aprender uma regra fundamental do sobrevivencialismo: a regra da tripla redundância.

  Confiar em uma única fonte de recursos não é uma boa forma de se preparar. Uma fonte pode dar problema, duas é bem mais difícil, mas com três fontes independentes é quase impossível que todas sejam interrompidas ao mesmo tempo. Essa é uma regra importante não só na preparação do refúgio, mas na vida de modo geral.

  No caso específico da água um bom refúgio deve ter um poço, estar próximo de um rio ou lago limpo, ter um reservatório para armazenar a água da chuva e contar com a água da rede pública comum que, enquanto estiver sendo fornecida regularmente, pode ser armazenada em uma caixa d’água grande ou em uma piscina. Com todas essas fontes e filtros de boa qualidade é muito pouco provável que a falta d’água seja uma ameaça.

  Alimentos – Seguindo o mesmo raciocínio devemos ter mais de uma fonte para a obtenção de alimentos, em um refúgio ideal há mais de três acres de terra agricultável, espaço para criação de animais para o consumo e para o trabalho, rios ou lagos piscosos e uma mata onde se pode caçar e obter lenha para cozinhar ou para aquecer a casa se o clima do local for frio.

  Saúde – Em uma situação de caos os principais cuidados com a saúde são higiene e nutrição, se as preparações para obtenção de água e alimentos forem bem feitas metade dos problemas estarão resolvidos.  Além da higiene e da nutrição a principal medida é disponibilizar medicamentos, seja através de um estoque de medicamentos convencionais ou do cultivo de plantas medicinais.  Em uma situação de curta ou média duração um bom estoque de medicamentos é suficiente, mas se o caos se prolongar será necessário usar métodos menos ortodoxos como anti-sépticos naturais. Em um mundo sem farmácias ou hospitais um pequeno ferimento pode ser fatal e por isso equipamentos de proteção para o trabalho também são indispensáveis.

  Outro aspecto importante é a saúde mental, tenha sempre material impresso para estudo e meios para entreter seu grupo, entretenimento não é futilidade, especialmente em situações de longa duração. Se os membros do seu grupo começarem a surtar devido ao tédio e ao isolamento suas chances de sobreviver podem diminuir consideravelmente.

  Segurança – Se você foi cuidadoso na preparação de seu refúgio e tudo está funcionando corretamente, tenha certeza de que mais de 99% das outras pessoas do mundo não foram tão cuidadosas e vão querer tomar o que é seu.  É a mesma lógica da fábula da cigarra e da formiga, a formiga trabalha durante todo o verão se preparando para ter onde morar e o que comer no inverno, enquanto a cigarra vagabunda não faz nada e quando chega o inverno ela vai bater na porta da formiga que ela ridicularizou durante o verão.  Essa é a metáfora perfeita para descrever a diferença entre os sobrevivencialistas e os “polianas” (aqueles que acham que tudo é lindo e nunca nada de ruim vai acontecer), por isso as medidas de segurança são fundamentais, especialmente no Brasil onde as cigarras e as polianas não só pedem, mas roubam, difamam e agridem a formiga porque acreditam piamente que é obrigação dela alimentá-las. Sendo assim você precisa se defender.

  A primeira medida de segurança é o sigilo, não espalhe para todo mundo que você tem um refúgio equipado, se não souberem que você tem não virão atrás. Esse é um ponto muito importante, pois a tendência natural do brasileiro é ajudar o primeiro malandro que chore e conte uma historinha triste (o “coitadismo” impera por aqui), se você ou alguém do seu grupo der algum tipo de suprimento para um estranho logo a notícia se espalhará e você terá uma multidão de desesperados na sua porta que não vão aceitar um não como resposta e cedo ou tarde vão acabar invadindo seu refúgio, tornando inúteis todas as suas preparações. Em uma situação de caos você não pode ser solidário, quem quiser bancar o santo logo se tornará um mártir.

  Depois de conscientizar o grupo desse perigo, é hora de pensar em medidas físicas de defesa. A idéia principal deve ser a de criar camadas de defesa para dificultar ao máximo roubos e invasões, por isso os refúgios em princípio nunca devem estar em áreas densamente povoadas (há exceções, mas estamos falando de um refúgio rural ideal), nem próximos de vias de grande circulação. Entre os sobrevivencialistas há os que preferem lugares altos para poder vigiar os arredores à distância e outros que preferem lugares mais baixos e escondidos, por acharem que casas em lugares altos chamam a atenção, pessoalmente eu acredito que o fundamental é que a casa não seja visível, se estiver em um local alto e não for visível de estradas ou cidades não há problema. Novamente, a primeira medida de defesa é o sigilo, não deixe os habitantes do refúgio expostos. A grande maioria dos sítios e chácaras comuns já possuem algum tipo de cerca viva ou plantação de bambu com essa finalidade, garanta que não só a casa e a plantação estejam ocultas, mas também as vias de acesso ao seu refúgio. Não deixe placas indicando sua presença e se for necessário faça uma curva na junção da estrada que dá acesso ao seu refúgio com a via principal e plante bambus dos dois lados para que quem não seja da região não consiga perceber muito facilmente que ali há um caminho.

  A segunda camada de defesa é a defesa perimetral, tenha cercas em torno do seu refúgio e mecanismos de alerta para identificar a presença de invasores. O mecanismo de alerta mais comum é o uso de cães, porém considere também o uso de gansos, pois um invasor pode tentar fazer amizade com os cães ou tentar envenená-los se eles não forem treinados, enquanto os gansos farão barulho em qualquer situação.  O cão de guarda só é útil se for bem treinado, capaz de neutralizar um invasor e conviver bem com os outros animais. Animais e cercas na maioria das vezes são suficientes para defender o perímetro, mas se a situação externa estiver muito ruim, considere o uso de armadilhas e torres de vigilância.

  Com todas essas preparações os riscos são minimizados, mas se houver uma invasão de fato, será necessário combater a ameaça diretamente e o melhor instrumento para isso são as armas de fogo. No quesito armas e munições a regra é simples: quanto mais, melhor.

  Armas e munições são itens raros de se obter na maior parte do país, por isso estoque o máximo que puder e se possível tenha material para recarregar os projéteis utilizados. Para ser mais específico, tenha ao menos três armas para cada membro de seu grupo que for capaz de empunhá-las e dê preferência às armas longas, pois pistolas e revólveres, além de serem mais difíceis de manusear, são mais úteis fora do refúgio (onde pode haver a necessidade de ocultar o porte) do que dentro para defendê-lo. O ideal seria que cada membro do grupo possuísse um rifle com luneta para vigilância e tiros de longa distância, uma espingarda pump (12) para confrontos diretos e um revólver como backup.

  Com isso em mãos é só criar padrões de procedimento para comunicação, vigilância e defesa e garantir que todos os conheçam e pratiquem regularmente.

  Essas são apenas considerações gerais básicas para a escolha de um local de refúgio, não deixe de analisar também a partir de suas condições específicas como tamanho do grupo, recursos disponíveis, localização geográfica, etc…

  Lembre-se que minúcia no planejamento é proporcional ao sucesso na execução.

  Fique atento.

  Sobreviva!

 

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